domingo, 8 de junho de 2008

ENTENDER Um POETA






















ENTENDER Um POETA

Não queira um poeta entender
para sonhar, nasceu um mente assim
foge da solidão para escrever
as letras são sua companhia até o fim.

O poeta vive de tristeza e alegria
se fica alegre, ri e contagia
se fica triste, chora e alivia
quando se desespera fantasia.

O poeta escreve seu pensar
pensa que é verdade seu sonhar
e quem lê, aplaude e acredita
pensa que a poesia é verdadeira.

a mente do poeta não é brincadeira
é um caos, é um vulcão que incendeia
escrever os sentimentos é sempre capaz
para a mente acalmar e ter paz .

Autora: Iracema Patrício
08/09/२००७

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Voz que se Cala


Amo as pedras, os astros e o luar

Que beija as ervas do atalho escuro,

Amo as águas de anil e o doce olhar

Dos animais, divinamente puro.


Amo a hera que entende a voz do muro

E dos sapos, o brando tilintar

De cristais que se afagam devagar,

E da minha charneca o rosto duro.



Amo todos os sonhos que se calam

De corações que sentem e não falam,

Tudo o que é Infinito e pequenino!


Asa que nos protege a todos nós!

Soluço imenso, eterno, que é a voz

Do nosso grande e mísero Destino.


Florbela Espanca

Se eu पुदेस्से...



"Se eu pudesse pelo teu nome navegar

Sereia de abandono no meu espanto

Segredo perdido junto ao mar

Cresceria no vento como um canto

Enquanto fugia no tempo para te encontrar

Se eu pudesse…

Ai, se eu pudesse…

Se eu pudesse ser regaço do destino

Faria do sonho o nosso lugar

Perene como a luz do retorno

E enleava num momento d’ouro

O choro ausente da saudade

Se eu pudesse…

Se eu pudesse ter a veleidade

De cessar o tempo com um beijo

E começá-lo de novo com o desejo

De te amar pela eternidade…

Se eu pudesse…

E posso!" (Frol)

Amor Em Tempo Infinito





















Aqui estou para falar do amor
Não do amor que sinto
Ou do amor que sou
Mas, do amor do Criador.
Do amor em tempo infinito

Através dos códigos alfabéticos
Por entre os signos poéticos
Consubstanciar na grafia
A genuína essência
Do amor em poesia.

Inspirem à arte da vida
E sintam a fragrância do contentamento
Porque TRANSPOESIA, não é para somente ser lida.
Mas para degustar com o sentimento.

Embora a beleza da universal harmonia
Seja por minha inspiração captada concebida
Não sou seu autor
Mas um interprete tradutor
Do silêncio esplendido do Criador.

Falo do amor
Não do que passou
Do que é ou daquele que será
Falo do amor definitivo
Que já foi por outros, dito.
E vivido pelo Cristo
E agora continuo a falar
Do amor em tempo infinito

CÍCERO SILVA

Vício da Alma





















Eu sou a flor
Embebida de orvalho
A inquietude
Que alimenta a serenidade
Aquele que parti
E deixa saudade
E aquele que fica
Depois da partida

Eu sou a palavra que falta
Daquilo que não têm palavras
O caminho mais curto
De uma estrada sem fim
O que há de mais doce
No sorrir de uma lágrima

Eu sou a dor
Mais nobre do querer
O silêncio absoluto
Que todos querem ouvir
A fronteira imaginária
Entre o ser e o sentir

E eu sou a doença
Disfarçada de cura
O impulso
Necessário do salto
O espaço
Preenchido entre os olhares
E o vício
Mais íntimo da Alma

Eu sou o amor ...

Marcelo Roque

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Poema "O que a Natureza nos diz"
















Quando desviamos suas águas
Que sente a Natureza colorida
Para produzirmos muito mais
Sem dó a deixamos empobrecida.

Grande equívoco do homem
Achar que tudo é infinito
Sem saber, dela vai tirando...
Sem ouvir o seu gemido.

Consumimos sem medidas
Aquilo que nos oferecem
Sem olharmos sua origem
A ganância nos envaidece.

A natureza aos poucos diz
Que aquilo que se produz
Se a nós nos falta prudência
Ao cessar iminente nos conduz.

A tecnologia nos dá asas
Voamos até outro mundo
Aquele que nos separou
Daquele apego mais profundo.

Deus assim, nos deu tudo!
E a nós nos coube esbanjar
Tudo aquilo de mais precioso
Dos bosques às águas do mar.

Quando Adão perdeu o paraíso
Não tinha idéia do seu valor
Perdeu toda a harmonia perfeita
Depois disso, sofrimento e dor.

Será como uma profecia?
Como devemos nos conter?
Diante de tanta teimosia
O homem insiste em sofrer.

Por que não viver por ela?
Por tudo que ela nos dá
Viver trocando cuidados
E a ela nos dedicar...?

Dessa disputa com o meio
Que a muitos só faz sofrer
As conseqüências da diferença
Entre a riqueza e o empobrecer.

Entre povos explorados
Por muitos sem coração
Não lhes importa se geram
Guerras, escassez e aflição.

A Carta da Terra nos ensina
Sobre responsabilidade universal
Valores básicos de solidariedade
Unindo a comunidade mundial.

A ética é o caminho da comunhão
O desenvolvimento, um tanto fugaz
Devemos fazer nossa escolha
Promovendo a tolerância e a paz.

Entender a biodiversidade
Beleza difícil de explicar
Tantas espécies no mundo
Passíveis de se esgotar.

A venda de nossas espécies
Gera lucro e tentação
Os governantes põem vendas
Assim, não lhes cabe acusação.

Precisamos dizer não!
Agora, a todos os atos banais
Que possamos em uma só voz
Dar "basta" a crimes ambientais

A cada pensamento egoísta
Nos unimos ao inevitável
Desperdiçando a possibilidade
Do desenvolvimento sustentável.

Tratados, leis não nos faltam
Ainda temos esperanças
De pôr finalmente em prática
Através de nossas crianças.

De tudo que elas aprendem
Uma lição é fundamental
Todos juntos pela mesma causa
Ensina a Educação Ambiental.

E esse aquecimento global
Nos dizem a cada momento
Que o planeta devo socorrer,
Mas qual será o procedimento?

Daí a importância da escola
Que nos dirá como fazer
Nosso papel na sociedade
E o nosso meio proteger...

Autora: Ana Paula da Silva पेस्ताना

quarta-feira, 4 de junho de 2008

VOCE




















VOCE
Felina
Menina
Tigresa
Pantera
Princesa
Primavera
De fogo
e cor.

Serpente
Demente
Sem dente
De siso.
Preciso
De ti.
Presente
Na ausência.
Constante.
Bastante,
Aqui
Em todo lugar.

Atriz,
Sensual.
Paranormal.
Meretriz.
Baby
Manhosa.
Manhã
Deliciosa
Yansã.
Bailarina
Sacerdotiza
Contamina
Precisa.
Preciso
Ainda assim.
Meios e fim

Odalisca
Guerrilheira
Pitonisa
Versátil
Volátil
Sarada
Helênica
Polêmica.
Amada.
Armada.
Atada
Á tarde
Venha...

Voraz
Suave
Capaz
Suada
Amante
Diamante
Amarela
Colorida
Peróla
Querida
Que vida
TPM
TNT
Só amo
e VEJO
VOCE!
[gustavo drummond]

Hei! Você!
















Hei! Você!

Hei! Você!
Você aí do outro lado!
Feche seus olhos
por alguns segundos
Feche...
Não tenha medo!

Olhe dentro de você
veja que pessoa linda!
Abra seu olhos bem devagar
Veja o que quero lhe falar:

Abra sua janela:
Olhe o sol se ainda for dia
Mas se for noite, olhe a lua
Veja que linda magia
E se encha de energia pura

Olhe novamente pra você
Mas agora de olhos abertos
Olhe, e ouça o quero lhe dizer:
Você é dádiva por certo

Agradeça por suas mãos
Por sentir o pulsar do coração
Veja como a vida é linda
É pura magia e paixão

Hei você!
Se estiver triste,
Mande a tristeza embora
Alegre-se!,
Olhe ao seu redor e lá fora
Veja que belo é o viver
Sorria logo, sem demora

Hei você!
Só vim lhe trazer essa poesia
Agradecer-lhe por existir
E lhe desejar um linda noite!


(Sirlei L. Passolongo)

domingo, 1 de junho de 2008

De sonhos



















tracei
os cantos...
e a rosa azul
cantava...

desfiei
o coral de contas
a calda florida
no colo da lua

rastro
desengonçado...
a argila pesada
no porto...um caminhar!

Autora- Solange Durães

Sou...


Sou...

Sou mulher de muitos mistérios...
Dona de uma lua tão bela...
Que desperta mil amores...
Meu sorriso te encanta...
Meu cheiro perfume dos campos...
Misturado com jasmim...

Em noites de lua cheia...
Fico no céu a passear...
Provocando calafrios...
Entre as estrelas...
Sou dona de muitos...
Mistérios onde passo a seduzir...

Sou mulher feitiço de amor...
Pura e real sereia...
Em muitos mares...
Desperto na lua cheia...
Feiticeira acendo velas...
Com aromas de canela e hortelã...

Sou mística mulher e feiticeira...
Onde uso o mistério...
A magia e a sedução...
PRA TOCAR TEU CORAÇÃO...

sábado, 31 de maio de 2008

ME PERMITA


Me permita mudar para o seu coração

Procurar me aconchegar no seu conforto
Fazer de todos os momentos um alento
E, atento, estar com você,
Onde quer que você vá.

Me permita escolher o seu olhar
Para fixar em mim
Essa certeza de que,
Podendo escolher,
É você que quero amar

Me permita querer minhas suas mãos
Trocar afagos e caminhar
De braços dados ou mãos entrelaçadas
Mãos para dar sem pedir

Me permita deitar a cabeça no teu colo
Poder sonhar, viajar nessa alegria
Ter você minha,
Namorada, enamorada,
Sempre minha

Me permita te querer
Encantado, ser amigo e namorado
Escritor querido e predileto
Despertar orgulho e te fazer repetir:
É meu esse poeta apaixonado

Me permita simplesmente te amar
Viver ao seu lado como verso
Parte de você, seu universo
Minha paixão viva em seu coração

Me permita
Só me permita
Pelo menos tentar

(Jorge Luiz Vargas)

“Tua”



“Tua”

No horizonte tenho o olhar perdido
Debruçada na noite que já vem
Voz embargada, calando meu grito.
E as lembranças que ainda me sustem.
Chamo teu nome e se ouvires minha voz
Mantenha-me no teu sono, acordada.
Não me perca, nem perca o endereço.
Dessa minha emoção escancarada.
Serei sempre do teu pulmão, a vida.
Me deságuo rendida em teus afetos
E em mim, terás sempre guarida.
Teu amor é regente dos meus dias.
Recupera a paz antes perdida.
Sorriso, que me faz manter a vida.

Lucinha Araújo

VALSA DO ADEUS



Era uma hora grave e de tristeza infinda,
No peito, em buraco, a vida era um vazio,
Lembro-me que a tarde se despedia linda,
E de chicote, o vento, talhava-me de frio.

Sem freios, a minha mente era correnteza,
O coração em chamas era um fogaréu,
Mas, em meu socorro veio a natureza,
Vestindo de ouro-velho a nudez toda do céu.

E tão bonito foi estar ali presente,
A olhar tanta poesia em forma de beleza,
Que levantei a fronte e agradeci a Deus.

E o sol vestindo trajes de partida,
Foi desenhando, em rosa, as nuvens coloridas,
Cisnes desfilando pelo céu de adeus.

Sidney Pires


Morre-se a cada dia


Morre-se a cada dia, quando renegado é.
Transformando o velho,
Virando o calendário.
Esquecendo o que se quer,
Vestindo a vida como sendo apenas,
Um simples vestuário.
Morre-se a cada dia que se chora,
De tristeza, por amor,
Por quem chega, porque foi embora.
Morre-se a cada dia por algo sem valor.
Morre-se a cada dia, a cada instante, a cada hora.
De alegria, de desamor, de nostalgia também se chora.
Morre-se a cada segundo na quebra do pudor,
Da vida...
Morre-se a cada dia, pelas ruas,
Pelas casas, nas esquinas, nas avenidas.
De frio, de fome, de horror.
Morre-se a cada dia pela falta de amor.
No tempo que não passa...
Morre-se a cada dia quando este não para.
Morre-se a cada dia,
Nas tentativas frustradas,
Na ilusão de ser feliz,
Morre-se a cada dia, por uma utopia diferente.
Morre-se a cada dia muita coisa, muita gente, forte,
Fraca, Sábia, ingrata...
Morre-se a cada dia, no abstrato viver.
Morre-se a cada dia na ilusão de ser feliz,
Ao revelar-se mestre,
Ainda sendo um aprendiz.
Morre-se a cada dia, mesmo que batendo, um coração.
Morre-se a cada dia um sorriso, um sonho,
Morre-se a cada dia mesmo sendo uma Legião.
Morre-se a cada dia, a cada começo, no recomeço,
Depois do fim...
Morre-se a cada dia, algo, alguém dentro de você.
Morre a cada dia um pedaço, uma parte de mim.
Morre a cada dia...
Morre-se a cada dia a esperança de vencer.
Morre-se a cada dia, na luta incessante, tentando viver.
Morre-se a cada dia...

Luciane Macário

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Não diga nada




Não diga nada
observe meus lábios a atinar
desejos que se perdem
entre um não poder... e um
indestrutível querer.

Não diga nada
apenas veja meus olhos que
estancam a dor do não ter
corroendo entranhas que
chorando silenciam.

Não diga nada
imagine o reverso,
sinta a dor que minha alma
em furor transcende
desejando com veemência ser teu universo.

Não diga nada
pense detidamente
que não é insensível o teu saber
insciente de um sofrer
nem relegado é meu viver.

Não diga nada
mesmo que se faça inaudito,
ouça meus murmúrios
palavras mudas transformadas
em vertentes clamando por ti...
entre gritantes malditos.

Não diga nada
tente apenas sentir o calor
que em delírio se faz passional
regente, insistente,
preexistente em meu corpo
inexplicavelmente... anormal.

Não diga nada
atente-se sem preterir,
não adianta fugir...
perceba que me faço presente
como nanquim na supremacia
de uma folha branca,
seja noite ou sendo dia.

Não diga nada
subleve atinente
um passado tão presente
selado pela história
se relatando ainda chora e
quem em brasa queima ardente.

Não diga nada
não se engane,
por que a ti mesmo furtar ?
Seduzindo o passageiro, extinguindo o verdadeiro
alicerce sem firmar.

Não diga nada
pois incabível se faz, evasiva alegação,
não se rompe aliança quando na fronte
se estampa o desejo a atração.

Não diga nada,
nem necessário se faz,
O sexo degenerado
como tatuagem marcado
submerge como febre, sou remédio a curar.

Não diga nada,
não aparte! Meu perfume esta no ar
busque o auge, dou-te o ápice
o profano e tão insano, basta vir me procurar.

Não diga nada
sou seu feminil provocante alimento
na chegada excitante
quedenominando sentimento,
emoção,
vai desterrando o viso
que insistente vocifera um coração.
Não diga nada.

Elizabeth Misciasci

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A VALSA





















Tu, ontem,
Na dança
Que cansa,
Voavas
Co'as faces
Em rosas
Formosas
De vivo,
Lascivo
Carmim;
Na valsa
Tão falsa,
Corrias,
Fugias,
Ardente,
Contente,
Tranqüila,
Serena,
Sem pena
De mim!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!...

Valsavas:
— Teus belos
Cabelos,
Já soltos,
Revoltos,
Saltavam,
Voavam,
Brincavam
No colo
Que é meu;
E os olhos
Escuros
Tão puros,
Os olhos
Perjuros
Volvias,
Tremias,
Sorrias,
P'ra outro
Não eu!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!...

Meu Deus!
Eras bela
Donzela,
Valsando,
Sorrindo,
Fugindo,
Qual silfo
Risonho
Que em sonho
Nos vem!
Mas esse
Sorriso
Tão liso
Que tinhas
Nos lábios
De rosa,
Formosa,
Tu davas,
Mandavas
A quem ?!

Quem dera
Que sintas
As dores
De arnores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas,..
— Eu vi!...

Calado,
Sózinho,
Mesquinho,
Em zelos
Ardendo,
Eu vi-te
Correndo
Tão falsa
Na valsa
Veloz!
Eu triste
Vi tudo!

Mas mudo
Não tive
Nas galas
Das salas,
Nem falas,
Nem cantos,
Nem prantos,
Nem voz!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!

Quem dera
Que sintas!...
— Não negues
Não mintas...
— Eu vi!

Na valsa
Cansaste;
Ficaste
Prostrada,
Turbada!
Pensavas,
Cismavas,
E estavas
Tão pálida
Então;
Qual pálida
Rosa
Mimosa
No vale
Do vento
Cruento
Batida,
Caída
Sem vida.
No chão!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
Eu vi!

CASIMIRO DE ABREU

JOSÉ SARAMAGO



















Algumas de suas famosas citações:


"Nem a juventude sabe o que pode, nem a velhice pode o que sabe."
A Caverna / José Saramago - São Paulo : Companhia das Letras, 2000.
Pág. 14, final do parágrafo.

"Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos.”

“É ainda possível chorar sobre as páginas de um livro, mas não se pode derramar lágrimas sobre um disco rígido.”
"Antes eu dizia: 'Escrevo porque não quero morrer' Mas agora mudei. Escrevo para compreender o que é um ser humano."

" O único progresso verdadeiro é o progresso moral. O resto é simplesmente ter mais ou menos bem."

" Não tenhamos pressa. Mas não percamos tempo."

"Se me perguntam por que escrevo, dou 30 respostas, nenhuma certa."

"Sabido é que todo efeito tem sua causa, e esta é uma universal verdade, porém, não é possível evitar alguns erros de juízo, ou de simples identificação, pois acontece considerarmos que este efeito provém daquela causa,, quando afinal ela foi outra, muito fora do alcance do entendimento que temos e da ciência que julgávamos ter."
(A jangada de pedra, pág. 12)

CONVENCENDO OS OUTROS

Um profeta chegou certa vez a uma cidade para converter seus habitantes.A princípio, as pessoas ficaram entusiasmadas com o que ouviam. Mas, pouco a pouco, a rotina da vida espiritual era tão difícil que homens e mulheres se afastaram, até que não ficou uma só alma para ouvi-lo.

Um viajante, ao ver o profeta pregando sozinho, perguntou:

- Por que continuas exaltando as virtudes e condenando os vícios? Não vês que ninguém aqui te escuta?

- No começo, eu esperava transformar as pessoas. Se ainda hoje continuo pregando, é apenas para impedir que as pessoas me transformem.

Paulo Coelho - Doses de Sincronicidade

FALTA DE FÉ


Às vezes criticamos a falta de fé dos outros. Não somos capazes de entender as circunstâncias em que esta fé foi perdida, nem procuramos aliviar a miséria do nosso irmão - que gera a revolta e a incredulidade no poder divino.

O humanista Rober Owen (1771-1858) percorria o interior da Inglaterra falando de Deus. No século XIX era comum usar a mão-de-obra infantil em trabalhos pesados e Owen parou certa tarde em uma mina

de carvão - onde um garoto de 12 anos, subnutrido, carregava um pesado saco de minérios.

"Estou aqui para ajudá-lo a falar com Deus", disse Owen.

"Muito obrigado, mas não o conheço. Ele deve trabalhar em outra mina", foi a resposta do garoto.

(Paulo Coelho – Caderno de Anotações II)

O AMOR


"Existem momentos em que gostaríamos muito de ajudar determinada pessoa, mas não podemos fazer nada. Ou as circunstâncias não permitem que nos aproximemos ou a pessoa está fechada para qualquer gesto de solidariedade e apoio.


Então, nos resta o amor. Nos momentos em que tudo o mais é inútil, ainda podemos amar – sem esperar recompensas, mudanças, agradecimentos.

Se conseguimos agir dessa maneira, a energia do amor começa a transformar o universo a nossa volta. Quando essa energia aparece, sempre consegue realizar o seu trabalho.

“O tempo não transforma o homem. O poder da vontade não transforma o homem. O amor transforma”, diz Henry Drummond."

Paulo Coelho - Livro de Anotações II