sábado, 25 de outubro de 2008

Borboletas




Não haverá borboletas se a vida não passar
por longas e silenciosas metamorfoses...

( Rubem Alves )


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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Arte de viver




Habito no halo
dos meus versos
onde incansavelmente
rimo palavras sem rima
e seco lágrimas sem pranto

é a arte de viver...

como lacrar a vida e o amor
sem cantar?
como vencer o tédio e o temor
sem bailar?
eis a razão
porque sonho sem sono
porque voo sem asas
porque vivo sem vida

no avesso dos versos escondo
o tesouro da minha contrariedade
o mistério da minha enfermidade
e o feitiço da minha eternidade

Armando Artur

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Gosto de ti




Gosto de ti

O Vento passou e disse:
Gosto de ti
E a flor abriu-se em pétalas
de todas as cores.

A onda passou e disse:
Gosto de ti
E na praia a areia
ficou muito lisa.

A noite passou e disse:
Gosto de ti
E as árvores cheias de orvalho
ficaram mais verdes.

O sol passou e disse:
Gosto de ti
E o trigo muito louro
acenou com as espigas maduras.

O amigo passou e disse:
Gosto de ti
E o coração
Ficou a dançar de alegria.

( Leonor Santa-Rita )

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Esperança


Não! A gente não morre quando quer,
Inda quando as tristezas nos consomem.
Há sempre luz no olhar de uma mulher
E sangue oculto na intenção de um homem.


Mesmo que o tempo seja apenas dor
E da desilusão se fique prisioneiro.
Vai-se um amor? Depois vem outro amor
Talvez maior do que o primeiro.


Sonho que se afogou na baixa-mar,
De novo há de erguer, cheio de fé,
Que mesmo sem ninguém o suspeitar,
Volta a encher a maré.


Não penses que jamais hás de achar fundo
Nem que entre as tuas mãos não terás outra mão.
Pode a vida matar o sonho e o sol e o mundo,
Mas não nos mata o coração.


(Poesia de Maria Helena,– extraído do livro
Concerto a 4 mãos - de JG de Araujo Jorge - 1959 )

Soneto à tua volta


Voltaste, meu amor... enfim voltaste!
Como fez frio aqui sem teu carinho....
A flor de outrora refloresce na haste
que pendia sem vida em meu caminho.


Obrigado... Eu vivia tão sozinho...
Que infinita alegria, e que contraste!
-Volta a antiga embriaguez porque voltaste
e é doce o amor, porque é mais velho o vinho!


Voltaste... E dou-te logo este poema
simples e humilde repetindo um tema
da alma humana esgotada e envelhecida...


Mil poetas outras voltas celebraram,
mas, que importa? – se tantas já voltaram
só tu voltaste para a minha vida...


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro

DOCE RECORDAÇÃO



Doce recordação...
que alegra o coração,
trazendo de novo aquela mesma emoção.
aquele breve momento. aquele gesto de carinho.
aquele simples beijinho...
aquela mera promessa de amor.
Ficou como uma doce recordação...
ficou na lembrança... ficou no coração...
Nem sempre podemos ter o que queremos...
mas lembranças doces sempre teremos...
Não podemos deixar perdido no passado,
aquele carinho enamorado...
Bons momentos que não devem ser esquecidos,
pois não foram momentos perdidos...
Foram momentos de felicidade,
que deixaram saudade...
Saudade de algo que não se completou...
não estava preso e se soltou...
Enfim... momentos para sempre lembrados...
Doce recordação de carinhos trocados...
De algo que deixou saudade...
mas que trouxe felicidade...


*****

sábado, 11 de outubro de 2008


Ser criança é saber perdoar, saber amar, não guardar mágoas. Ser criança é brincar, correr, viver feliz. Ser criança é viver na eternidade, sonhar sonhos de esperança em busca de um mundo melhor!

Criança linda hoje é seu dia!

Então cante, dance, pule, sorria e seja muito feliz!!!

Ser criança



Ser criança é achar que o mundo é feito de fantasias,
sorrisos e brincadeiras.
Ser criança é comer algodão doce e se lambuzar.
Ser criança é acreditar num mundo cor de rosa,
cheio de pipocas.
Ser criança é olhar e não ver o perigo.
Ser criança é sorrir e fazer sorrir.
Ser criança é chorar sem saber porque.
Ser criança é querer ser feliz.
Ser criança é esconder-se para nos preocupar.
Ser criança é errar e não assumir o erro.
Ser criança é pedir com os olhos.
Ser criança é derramar uma lágrima para nos sensibilizar.
Ser criança é isso e muito mais.
É ensinar-nos que a vida, apesar de difícil,
pode tornar-se fácil com um simples sorriso.
É ensinar-nos que criança só quer carinho e afecto.
É ensinar -nos que, para sermos felizes,
basta apenas olharmos para uma criança.....


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A Delicadeza do Amor



A Delicadeza do Amor

Ser delicado é possuir alma de criança,
É acreditar...
É se emocionar ao ouvir o marulho do mar
É conversar com as paredes...
É sentir a pureza de uma rosa,
e se envolver no seu perfume...
É ouvir o cantar dos pássaros e
se transportar ao sonho...
É admirar a liberdade das borboletas,
seu colorido e a suavidade de seu toque nas flores...
É ouvir o sussurrar do vento
falando de amor aos seus ouvidos
É perceber na musicalidade da chuva,
o sentido da vida...
É ver a tempestade, seus raios, trovões e vendavais,
impondo limites a humanidade...
É entender que as nuvens negras passam,
E logo ao amanhecer,
nasce o sol com seus raios multicoloridos
nos mostrando....
que vale a pena viver
E sentir o sol transcender o corpo e iluminar a alma..
É olhar uma estrela, e ver o seu brilho,
nos olhos do ser amado
Ser delicado, é sentir a ternura e o sentido de amar...

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

sábado, 4 de outubro de 2008

Dia de São Francisco de Assis




"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível,
e
de repente você estará fazendo o impossível."

Apenas um raio de sol é suficiente para afastar
várias sombras.

Onde há amor e sabedoria, não tem temor e nem ignorância


QUE O SENHOR VOLTE OS OLHOS PARA TI E TE DÊ TUA PAZ.
QUE O SENHOR TE ABENÇOE


São Francisco de Assis

ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

4 de outubro

OS ANIMAIS



Eles habitam toda a face dessa Terra
Ofertando seus valores e prestezas,
Não reclamam da vida, nunca erram,
Fazem parte das forças da natureza!


Se cometem uma morte alguma vez,
É por conta da lei da sobrevivência:
Não existe aí nenhuma insensatez,
Pois não têm o dom da consciência.


Sua vida é dedicada à humanidade,
Mas o homem não percebe, é demais,
Não querer entender essa bondade!


Sendo parte desse reino, ainda mais,
Usa a única diferença pra maldade,
Ao invés de aprender com os animais!


Autor: José Rosendo




"Não permitas que ninguém negligencie o peso de sua responsabilidade. Enquanto tantos animais continuam a ser maltratados, enquanto o lamento dos animais sedentos nos vagões de carga não sejam emudecidos, enquanto prevalecer tanta brutalidade em nosso matadouros... todos seremos culpados. Tudo o que tem vida, tem valor como um ser vivo, como uma manifestação do mistério da vida." (Albert Schweitzer)

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Espinheira



Eta espinheira danada
Que pobre atravessa pra sobreviver
Vive com a carga nas costas
E as dores que sente não pode dizer;

Sonha com as belas promessas
De gente importante que tem ao redor
Quando entrar o fulano
Sair o ciclano será bem melhor
Mas entra ano e sai ano
E o tal de fulano ainda é pior
Esse é meu cotidiano
Mais eu não me dano pois Deus é maior.

O mundo não acaba aqui
O mundo ainda está de pé

Enquanto deus me der a vida
Levarei comigo esperança e fé!

Eta que gente danada
Que esquece de vez a palavra cristã
Ah, eu queria só ver
Se Deus se zangasse e voltasse amanhã;

Seria um ?Deus nos Acuda?
Um monte de Judas querendo perdão
Com tanta gente graúda
Implorando ajuda com a bíblia na mão

Mais a esperança é miúda
E a coisa não muda não tem solução:
Nem tudo que a gente estuda,
Se agarra e se gruda, rebenta no chão!

(Manoelito Nunes E Dalvan)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

POEMA DE PRIMAVERA




Metamorfose dos encantos

Encaixe dos sentimentos

Delicadezas se ondulam em flores

Nas asas da imaginação

Seu sorriso, meu disfarce

Me perco no equinócio do seu florescer

Num canto bem adubado do meu coração

Outra semente germina

Pulula em vida pós-inverno

De begônias e hortênsias

Ornando meu caminhar.

Quem hibernou, involuntário

Ao saltar para a primavera

Encontra suave brisa

A refrescar a tez acalorada febrilmente.

Enfim vitória de uma semente

É primavera chegando

A esperança renascendo

O colorido tingindo

O caminho do passante

Desencasula... para a vida

Desacrisola... para a maturidade

As forças da natureza me deixam e êxtase

Momento de recomeçar

Floreça em mim a primavera de minh'alma

As lágrimas transformem-se em suave brisa

Ou num orvalho manso a regar meu coração...

Estação das flores dentro de mim,

Reaja ao inverno sequioso dos sonhos meus

E brotem novos sonhos

Novas forças,

Nova vontade de sonhar.

Caminho lentamente, mas com firmeza

Esqueço o que doeu

Apago o traço da dor

Aborto a palavra saudade

Construo ruas de felicidade

Onde dançarei a dança da paz

Com o arco-iris a brincar

Ao vento vão os pensamentos

Novos sonhos, novos alentos

O tempo... ah, o tempo!

Meu íntimo confidente,

A primavera me trouxe.

Um dia novo está surgindo

Um sonho novo me envolve

Vida nova...Saúde...Paz...

Enfim, a primavera me beija a face.


Alice Poltronieri

Primavera



A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.
Cecília Meireles


Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Sempre, para sempre


Há amor amigo

Amor rebelde

Amor antigo

Amor da pele



Há amor tão longe

Amor distante

Amor de olhos

Amor de amante



Há amor de inverno

Amor de verão

Amor que rouba

Como um ladrão



Há amor passageiro

Amor não amado

Amor que aparece

Amor descartado
Há amor despido

Amor ausente

Amor de corpo

E sangue, bem quente



Há amor adulto

Amor pensado

Amor sem insulto

Mas nunca, nunca tocado



Há amor secreto

De cheiro intenso

Amor tão próximo

Amor de incenso



Há amor que mata

Amor que mente

Amor que nada, mas nada

Te faz contente, me faz contente



Há amor tão fraco

Amor não assumido

Amor de quarto

Que faz sentido



Há amor eterno

Sem nunca, talvez

Amor tão certo

Que acaba de vez



Há amor de certezas

Que não trará dor

Amor que afinal

É amor,

Sem amor



O amor é tudo,

Tudo isto

E nada disto

Para tanta gente



É acabar de maneira igual

E recomeçar

Um amor diferente

Sempre, para sempre

Para sempre



Donna Maria



segunda-feira, 1 de setembro de 2008

SE EU FOSSE POETA...

















SE EU FOSSE POETA...

Te faria um poema,
Falando de amor.
Abusaria de temas,
Do aroma da flor.
Versejaria erudito,
Um canto bendito.
Para te enaltecer.
Louvaria sua beleza,
Sua docilidade.
Com certeza,
Usaria toda fertilidade
Da mente.
As rimas mais preciosas
Sente,
a candura dos verbetes.
Sensibilidade valiosa.
Uma ária em falsête,
Ou o bolero de Ravel.
A magia de Neruda,
A arte de Renoir.
Faria elegias ao céu.
Abusara do verbo amar.
Ah!...Se fosse eu um poeta!...

*[gustavo drummond]