
E por vezes as noites duram meses
encontramos de nós em poucos meses
ao tomarmos o gosto aos oceanos
E por vezes sorrimos ou choramos
David Mourão-Ferreira



O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
Paulo Mendes Campos






Se, consideração é tudo isso, por que temos ás vezes à certeza que certas pessoas não nos considera? Por causa dos seus atos, frieza nas palavras, na indiferença que tem por seus sentimentos?
Também há tipos que se utilizam, da hipocrisia fingindo-se de amigas para poderem se aproveitar e dar o seu bote colocando uns contra os outros esperando assim, levar vantagem em algo. Então eu penso comigo mesma...
Todas as pessoas conhecem a palavra CONSIDERAÇÃO, mas infelizmente há ainda muitas pessoas que não sabem usar nenhuma das palavras que defere a CONSIDERAÇÃO. Muitas vezes consideramos e damos importância á alguém que não estão nem aí para gente...
Não respeitam os nossos sentimentos sendo completamente indiferentes a eles, são conhecidas ou consideradas, como pessoas egoístas e desprovidas de sentimentos, dissimuladas, invejosas os quais as amizades, os amores, a boa convivência com outros não lhe diz nada...
Não lhe diz nada, enquanto tiver pessoas por perto lhe “papiracando”, isso sem nos excluir, porque muitas vezes também “paparicamos” esses tipos de pessoas.
É triste quando nossos sentimentos são pisados e maltratados e como somos certas pessoas se comportam tão bem com o mal, e é mais triste ainda quando algumas pessoas tornam-se iguais elas...
Isso tudo nos serve para refletirmos e crescermos interiormente, enriquecermos espiritualmente, todo aquele que exala ódio, a inveja, o ciúme, ao invés de subir um degrau para sua evolução desce. Precisamos ser sempre ricas de sentimentos, pois mesmo não sendo reconhecido, temos que mostrar que somos capazes de considerá-los.
Temos que ser sempre verdadeiros, não precisamos utilizar subterfúgio para conquistar alguém ou algo. Antes de condenar, antes de agir de forma caluniosa, antes de comportar de forma vil para suas conquistas em qualquer setor da vida, Reflita essa frase dita por Chico Xavier em um dos seus livros:


A poesia dos teus olhos
é a poesia mais linda
... e mais colorida.
Tem métrica, tem rima,
tem a sonoridade da música
mais suave da vida.
Teus olhos encantam
e vibram como início de sonho.
Teus olhos dizem doçura,
um mel mais doce,
... e mais perfumado.
A poesia que brilha em teus olhos
tem luzes intensas,
é alegria espargindo sorrisos,
... coloridamente felizes.
Teus olhos encantam,
teus olhos seduzem,
teus olhos fascinam.
São dádivas do Amor!
Wanderlino Arruda


A cada amanhecer nos vasculhamos
a nossa alma procurando algo bom..
Algo que nos fará levantar...
Algo que nos fará enfrentar...
o dia a dia...
Todos nós nos perguntamos o sentido
Das coisas...
das dores...
Da utilidade de existir...
De continuar...
As vezes até me pergunto em que mundo vim parar....
Se eu não concordo com os estrondos do mal...
Se eu não me sinto integrada aos interesses mesquinhos de alguns...
Mas juro meus amigos....
Que quando o dia está escuro em minha alma...
Quando o meu coração está receoso...
Nesta luta de mudar os mortos-vivos que andam por ai...
Nesta utopia cheia de esperança...
E meu filho me chama e precisa de mim...
Eu acho sempre um bom motivo
Para estar aqui!!!!